Segundo o artigo, o pai de uma das meninas
afirma que a sentença da Justiça brasileira irá arruinar a carreira das
jovens, recém formadas em Direito. No entanto, o colunista destaca que
a condenação a prestação de serviços comunitários será uma experiência
única para a dupla de estudantes de classe média.
O colunista Sathnam Sanghera critica a atitude
da família de uma das acusadas, Shanti Andrews, destacando a afirmação do
pai dela de que a quantia que elas pretendiam ganhar com o seguro, R$ 4
mil, era "muito baixa" para uma punição tão alta. O colunista também cita
a sequência de declarações da família criticando a Justiça brasileira,
primeiro pela condenação a 16 meses de prisão (depois convertida em 8
meses de prestação de serviços comunitários), e depois pela afirmação de
que a sentença irá arruinar a carreira das duas jovens, formadas pela
Universidade de Sussex. Segundo o artigo, com a acusação no Brasil, elas
estão proibidas por lei de trabalharem como advogadas na Grã-Bretanha.
O jornalista e escritor destaca, no entanto,
que, com a condenação a prestação de serviços comunitários, "significa
que elas voltarão para a Grã-Bretanha tendo realmente vivido em uma
cultura diferente e fazendo coisas úteis". Ele afirma que, a experiência
que elas pretendiam ganhar com a viagem de nove meses de volta ao mundo,
tradicional entre jovens de classe média alta britânicos, será muito mais
compensatória agora, com o trabalho em comunidades carentes do Rio de
Janeiro.
Rebecca Turner e Shanti Andrews, ambas de 23
anos, foram presas em meio a uma viagem de volta ao mundo que passaria
por 30 países. Elas disseram ter sido roubadas dentro de um ônibus,
perdendo cerca de R$ 4 mil entre bens e dinheiro. A polícia desconfiou da
atitude delas e encontrou alguns objetos supostamente roubados no
albergue onde estavam hospedadas.
As inglesas, presas no dia 26 de julho,
receberam o direito à liberdade provisória cinco dias após o flagrante e
continuam sob proibição de deixar o país e com os passaportes
confiscados.
A condenação pelos crimes de falsidade
ideológica, falsa comunicação de crime e tentativa de estelionato previa
inicialmente um ano e quatro meses de reclusão e mais um mês de detenção,
mas acabou sendo convertida pelo juiz responsável pelo caso em 8 meses de
prestação de serviços comunitários. A natureza dos serviços ainda não foi
definida.