Sob vaias da platéia, o diretor jurídico do
Procon, Jorge Wilson, afirmou, durante painel no Fórum Panrotas,
nesta quarta-feira (18), no Fecomércio,
em São Paulo, que “se o cliente compra um serviço
através de uma agência de viagem e aquele serviço não é prestado ou é
prestado de maneira inadequada, não há duvidas de que quem deve ser
responsabilizada é a agência”.
Em contrapartida, o presidente da Abav Nacional,
Carlos Alberto Amorim Ferreira – o Kaká -, alfineta: “Que culpa o
agente de viagem tem se vende uma passagem e o avião dá problemas ou
vende um cruzeiro e ele acaba incendiando? Não temos como evitar
essas situações e por isso deveríamos ser penalizados apenas por
questões de responsabilidade objetiva e não solidária”, conta
afirmando que o agente é quem mais zela e defende o consumidor.
Para o diretor jurídico do Procon, a lei determina
a responsabilidade da agência porque considera o cliente como
hipossuficiente, uma posição inferior ao fornecedor. “Não importa se
aconteceu um problema que foge da alçada da agência, pois o
consumidor confiou naquela empresa e a procurou porque queria a
garantia de bons serviços. Cabe a agência se integralizar com seus
fornecedores e com toda a cadeia produtiva para ver se está vendendo
produtos de qualidade”.
Após a opinião de Jorge Wilson, a retórica de Kaká
foi imediata. “Se a lei diz isso então ela está equivocada e deve ser
alterada. O agente não pode ser responsabilizado por serviços de
terceiros. Nós somos os intermediadores e devemos ser
responsabilizados apenas neste processo”.
Celso Russomanno, representante da Comissão de
Defesa dos Direitos do Consumidor, exemplificou a fala de Kaká. “Se o
agente faz reservas no hotel e o cliente chega na hora e a reserva
não foi feita, aí sim deveria ser penalizado. Só nos casos em que a
culpa é realmente dos agentes. Deve haver um bom senso entre ambas as
partes e isso não está acontecendo”, lamenta.
O evento evento contou ainda com a presença do
presidente da Braztoa, José Eduardo Barbosa.